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PARA ENTENDER:  O QUE É UM PARQUE LINEAR?

É muito importante que nós habitantes do Jardim Pery saibamos o que é um parque linear, e o que pode trazer de beneficio ás comunidades do entorno e o seu objetivo no desenvolvimento de uma região para a melhoria da população como um todo.
 Para os que não saibam é bom ficar sabendo que esta proposto a construção de um parque linear a ser instaldo na divisa da serra da cantareira com bairros desta periferia, dos bairros Jardim Pery, Jardim Antartica Até onde cruza com o Jardim Damasceno.

Leia o resumo para interar e veja os videos.
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RESUMO: PARQUE LINEAR É

O parque linear como instrumento de planejamento e gestão das áreas de fundo de vale urbanas

FONTE: Para citar ou acessar este item utilize:
http://hdl.handle.net/10183/13175


O instrumento Parque Linear está sendo apontado pela bibliografia atual como uma medida sustentável de uso e ocupação das áreas de fundo de vale urbanas, nos âmbitos ambientais, sociais, econômicos e culturais. Contextualizando estas áreas dentro do território brasileiro nos dias atuais, estas são consideradas pela legislação ambiental como APPs – Áreas de Preservação Permanente, ou seja, proibidas de edificação, mas na realidade caracterizam-se como espaços residuais da paisagem natural remanescente, quando existente, e encontram-se geralmente invadidas e degradadas pelo modelo de urbanização adotado até hoje.
 
Em função do crescimento do número de municípios brasileiros que estão buscando implantar este instrumento como medida de prevenção ou remediação do estado degradante em que se encontram as áreas urbanas marginais aos cursos d’água, busca-se com esta dissertação discutir este tema, no que se refere a compatibilidade de aspectos relativos à conservação dos recursos naturais e de promoção do uso público destas áreas para o lazer, cultura, educação e circulação não-motorizada, e propor subsídios para um melhor planejamento desta proposta. Para alcançar estes objetivos, a pesquisa se utiliza de um referencial teórico, que aborda conceitos e exemplos de parques lineares implantados no Brasil e exterior, e de um estudo de caso aplicado em um parque linear implantado na década de 80, denominado Parque Municipal Arno Kunz, situado no município de Campo Bom – RS. A metodologia desta pesquisa é baseada na busca de diferentes percepções, que englobam o pesquisador/observador, técnicos e usuários, utilizando-se principalmente de métodos qualitativos como o levantamento documental, observação in loco, entrevistas e formulários, este último complementando a pesquisa qualitativa com alguns dados quantitativos.
 
Os resultados obtidos nesta pesquisa corroboram com a hipótese gerada, de que faltam critérios biofísicos, sociais e econômicos no planejamento, projeto e gestão dos parques lineares em áreas de fundo de vale urbanas, afetando o desempenho e a sustentabilidade da proposta.

Apresentação do DAEE sobre Parque Linear Várzeas  do Tietê (1 de 3) 
Apresentação do DAEE sobre Parque Linear Várzeas do Tietê Detalhes sobre a obra, projeto e história do Parque Linear Várzeas do Tietê,considerado ...


 

A devastação da Cantareira (SP) e outras devastações

 

Álvaro Rodrigues dos Santos (*)

Em sua edição de 16/03/2008, o Jornal O Estado de S. Paulo publicou providencial reportagem sobre o vertiginoso processo, regular e irregular, de ocupação da Serra da Cantareira, fronteira norte da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

Para se entender a lógica e os riscos sociais e econômicos envolvidos nessa ocupação, é oportuno lembrar que a metrópole paulista desenvolveu-se até meados do século XX essencialmente no interior do ângulo formado pelos rios Tietê e Pinheiros, ocupando terrenos de topografia suave e de características geológicas favoráveis à ocupação urbana.

Com o crescimento explosivo verificado a partir dos anos 50 e 60, vêm sendo progressivamente ocupados, e sem nenhum critério técnico diferenciado, os terrenos mais periféricos a norte, sul, leste e oeste, de relevo mais acidentado.

Ocupa-se assim hoje uma região topograficamente mais acidentada com a mesma cultura técnica com que se ocupou a região de topografia mais suave, ou seja, opta-se por produzir artificialmente, através de operações de terraplenagem, áreas planas e suaves para assentar os novos empreendimentos.

Assim, a expansão urbana vem se processando, via de regra, através de intensas e extensas terraplenagens que retiram a vegetação e a capa protetora de solos superficiais mais argilosos (e portanto mais resistentes à erosão) implicando em exposições cada vez maiores e mais prolongadas dos solos de alteração (mais profundos, menos argilosos, mais erodíveis) aos processos erosivos, em uma prática nociva e nada criativa do ponto de vista técnico, pela qual persistentemente se privilegia a adaptação dos terrenos aos projetos ao invés de adequar os projetos às características naturais dos terrenos.

Considere-se que na RMSP a perda média de solos por erosão está estimada já em algo próximo a 15 toneladas de solo por hectare/ano, o que implica na produção anual de até 3.570.000 m3/ano de sedimentos e sua decorrente liberação para o assoreamento da rede de drenagem, fator diretamente associado à destruição da infra-estrutura pública nas áreas de origem, à geração de áreas de risco e ao fenômeno das enchentes que insiste em castigar a metrópole e sua população.

Acresça-se que, ao contrário das zonas urbanas mais centrais, que estabilizaram seu crescimento demográfico, nessas zonas de expansão periférica esse crescimento chega à absurda taxa de 9% ao ano.

Essa verdadeira tragédia geotécnica e ambiental que se instalou nas zonas de expansão da metrópole, se não estancada imediatamente através de rígidas regras de ocupação, implicará progressivamente em custos sociais e econômicos insuportáveis para a população, para a administração pública e para os negócios privados.

Há hoje um vasto aparato em técnicas construtivas adequadas, em programas habitacionais voltados à demanda da população de baixa renda, em legislação urbana e ambiental e em experiências práticas de situações históricas similares para dar suporte a uma imediata e ampla ação de governo para frear esse processo catastrófico. Falta apenas que os agentes públicos, das diversas esferas de governo, sentem-se à mesa e tomem as decisões adequadas.

Vale lembrar a propósito a enorme lição que vem dos entornos da Represa Billings. Nesta região estratégica para a metrópole, a desastrosa decisão de se proibir qualquer tipo de ocupação redundou na ocupação habitacional irregular total dos entornos de toda a represa. Esse desastre indica que, ao lado de áreas que corretamente e radicalmente não devam ser ocupadas, outras deverão admitir a ocupação por determinados tipos de empreendimentos que, por sua natureza, cumprirão o papel fiscalizador da conservação ambiental pretendida.

Para esse objetivo, obviamente os empreendimentos habitacionais são totalmente desaconselhados, o que não acontece com outros tipos de empreendimentos como Centros de Pesquisas Ambientais e Naturais, Clubes e Pousadas de Lazer Ecológico, Parques Botânicos e Zoológicos, Escolas de Técnicas Ambientais, e outros empreendimentos de natureza semelhante que poderão virtuosamente cumprir a função conservativa que a fiscalização pública tem se mostrado totalmente incapaz de fazer valer.

* É geólogo, ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT e ex-diretor da Divisão de Geologia da mesma entidade; autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos” e consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente.
santosalvaro@uol.com.br

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